Portrait CN D – Filmes com extratos das obras das coreógrafas:
Maguy Marin não dança apenas com os corpos. Ela dança com os sons, as onomatopeias, as palavras, as frases, as línguas estrangeiras, a língua de maneira geral. Desde seus primeiros espetáculos, a palavra tem sido não apenas uma matéria, mas também um dos motores fundamentais do movimento, uma espécie de regra rítmica mais ou menos oculta, como evidenciado pelo famoso trecho de Beckett “Acabou, está acabado, vai acabar, talvez acabe”, que oferece uma célula rítmica às composições de May B. Entre os simples “ah” assustados e os “oh” surpresos (Ramdam), que impulsionam os dançarinos, e as frases em latim de Lucrécio que os imobilizam (Turba), há, de fato – e Maguy Marin o comprova de maneira exultante –, cem maneiras de utilizar a linguagem.
Ramdam (1995), direção: Luc Riolon, 1997
May B, direção: Luc Riolon et Charles Picq, 1981
Babel Babel, direção: Olivier Morel, Ariane Le Couteur, Hugues de Rosière, 1982
Aujourd’hui peut-être (Hoje Talvez), direção: Luc Riolon, 1996
Ha ! Ha !, direção: Charles Picq, 2006
Pour ainsi dire (Por assim dizer), direção: Luc Riolon, 1999
Waterzooï (1993), direção: Luc Riolon, 1994
Quoi qu’il en soit (Seja como for), direção: Luc Riolon, 1999
Nocturnes (Noturnos), concepção: Maguy Marin et Denis Mariotte, direção: David Mambouch, 2012
Description d’un combat (Descrição de um combate), direção: Charles Picq, 2009
Turba, concepção: Maguy Marin e Denis Mariotte, direção: Charles Picq, 2007
Com a autorização de Maguy Marin, Cie Maguy Marin, Luc Riolon, 24 Images,
Maison de la Danse, L’envol Productions.
A dança de Mathilde Monnier é marcada pelo tema da solidão. Ainda que em seus espetáculos muitos dançarinos ocupem a cena, cada um deles se destaca por sua singularidade e pela maneira que encontram seu espaço dentro do coletivo e individualmente. Em Tempo 76, um uníssono dá ritmo ao espetáculo, regulado pelo metrônomo da música de Ligeti. Cada dançarino encarna simultaneamente um corpo comum e um corpo singular. Em Déroutes (Desvios), os intérpretes traçam percursos individuais em um mesmo espaço cênico, encontrando-se ou cruzando-se ao acaso de seus passos. Les Lieux de là (Os Lugares de lá), também conta, à sua maneira, a história da dispersão de uma comunidade em permanente reconfiguração. Duos e trios – figuras do vínculo – são frequentes na gramática de Mathilde Monnier, mas as danças solitárias predominam: solos propriamente ditos ou “solos em grupo” (como as errâncias rock de Publique), nos quais cada artista se deixa conduzir por seu próprio movimento e por sua própria deriva.
Soapéra, direção: Karim Zeriahen, 2010
Les Lieux de là (Os lugares de lá), direção: Valérie Urréa, 1998
Pour Antigone (Para Antígona), direção: Valérie Urréa, 1993
Tempo 76, direção: Valérie Urréa, 2007
Publique (Público), direção: Valérie Urréa, 2004
Pavlova 3’23’’, direção: Karim Zeriahen, 2009
Chinoiseries, direção: Valérie Urréa, 1991
MM in Motion (MM em movimento), direção: Vivian Ostrovsky, 1992
2008 vallée, direção: Valérie Urréa, 2006
Déroutes (Desvios), direção: Valérie Urréa, 2002
Com a autorização de Mathilde Monnier, Association MM, Dominique Figarella,
Philippe Katerine, Wisdom Films, Artline Films, On The Fly Productions.
Natural de Atlanta, Asha Thomas dançou (como dançarina principal) na companhia Alvin Ailey antes de se mudar para a França, em 2007. Desde então, colaborou com diversos coreógrafos, entre eles Salia Sanou, Boris Charmatz, Alban Richard, Olivia Grandville, Raphaëlle Delaunay, Tatiana Julien e Philippe Ménard. Desde 2010, desenvolve suas próprias coreografias. Mas ela não precisava ter se tornado coreógrafa para que sua marca autoral fosse perceptível. Atuando nos espetáculos de outros artistas, ela carrega consigo menos uma gestualidade – que viria a aprofundar em suas próprias obras –, mas um tipo de energia explosiva-fixa, certamente alimentada por meio da sua proximidade com formas de dança mais populares, menos normatizadas pela ideia de espetáculo do que pela noção de performance e de que, ao fim da dança, talvez exista uma possibilidade de contato mágico, ou místico, com outras forças.
Du désir d’horizons (Do desejo de horizontes), 2018
Eikon, 2011
FIX ME, 2018
Héroïne (Heroina), 2015
Ghazals, 2012
CLAY, 2014
*Em colaboração com o CN D – Centro National de la Danse (França)
*Todos os filmes são legendados em português brasileiro
ENTRADA FRANCA — 50% dos ingressos online pelo site do Sympla (a partir de 07 dias antes da sessão) e 50% na bilheteria, 30 min antes.
Limite de 2 ingressos por pessoa.
SINOPSE:
Em parceria com o VAC – Verão Arte Contemporânea, o Terça da Dança recebe o artista e pesquisador Volmir Cordeiro para uma programação especial com oficina, bate-papo e aula aberta. A ação promove troca de experiências, reflexão e diálogo entre criação artística, formação e dança contemporânea.
FICHA TÉCNICA:
O Terça da Dança apresenta artistas independentes e grupos profissionais em uma programação contínua de apresentações e ações formativas. Desenvolvido pelo CRDançaBH, espaço de apoio à comunidade da dança em BH, o projeto acontece às terças, às 19h, promovendo diálogo com a cidade e fortalecendo a dança.
Instagram:
@teatromarilia @circuitomunicipaldecultura
Volmir Cordeiro propõe uma oficina dedicada a seus princípios de criação: a expressividade do rosto e do olhar, a urgência de existir para o outro, a potência que nasce dessa relação e a profusão de palavras e imaginários.
A proposta é praticar danças-metamorfoses, mudar de direção sem aviso e cultivar um movimento coletivo em fluxo contínuo, onde criação e conversa se misturam como modos de escuta, presença e invenção.
Dançarino, coreógrafo e doutor em dança pela Universidade Paris VIII (França), Volmir Cordeiro desenvolve seu trabalho entre criação, pesquisa e prática pedagógica em diferentes países. Céu, Rua, Calçada, Abrigo estão entre suas obras, que abrangem solos, criações in situ e peças para grupos. É autor de Ex-Corpo (Ed.CND, 2019), livro dedicado às figuras da marginalidade na dança contemporânea e à relação entre arte e pesquisa. Sua companhia, Donna Volcan, segue acompanhando sua investigação sobre modos de presença, movimento e convivência na cena contemporânea.
*Inscrições gratuitas até o dia 16 de janeiro
**No dia 28 de janeiro (quarta), às 17h, o público é convidado a acompanhar uma aula aberta, com duração de 1h e entrada franca.